PENTAGRAMA DE PRINCÍPIOS REGULADORES

DAS INTERVENÇÕES NO FORUM CABINDA LIVRE:

 

1.  PRINCÍPIO DA FÉ E DO DIREITO À PALAVRA

Foi com a "Palavra", que, diz a Bíblia, Deus criou tudo quanto existe. Cada utente de Palavra deve ver na "palavra" a matéria-prima criadora, portanto, cada homem tem o direito inquestionável ao uso da palavra, o direito de verbalizar o seu pensamento, e com o seu pensamento criar, "organizar", negociar tudo (NECESSARIAMENTE com os outros).

 

2. PRINCÍPIO DA FUNÇÃO RELACIONAL DA PALAVRA

Mesmo em solilóquio, o uso da Palavra funciona como uma operação de relacionamento do homem consigo mesmo, pelo menos. Em intercomunicação, a palavra não é só a moeda fundamental do relacionamento entre interlocutores, mas também funciona como instrumento, dinamicamente, (auto-)revelador e (auto-)relacionador. Cada utente da palavra deve saber que a sua palavra deverá poder relacioná-lo, osciladamente, com o(s) seu(s) interlocutor(es), numa álgebra de aproximações e/ou de afastamentos. Desta feita, a nenhum interlocutor deve ser estranho, derivar do seu uso da palavra a instalação, temporária, ou definitiva, de posições e até de relações próximas, ou afastadas para com o(s) seu(s) interlocutor(es).

 

3. PRINCÍPIO DA QUALIFICAÇÃO DA RELAÇÃO-USO COM A PALAVRA

Se a Palavra é a matéria-prima da criação, e se com a Palavra acabamos também por nos bem/mal-relacionar, afastando ou aproximando-nos (com os outros), então o propósito, eticamente, assumido no forum CABINDA LIVRE, é o da GERAÇÃO DE CONSENSOS NA PALAVRA, ou seja o valor (tensional) da Aproximação entre os intervenientes, embora o contrário, a acontecer, e, no entanto, pedagogicamente, a resolver nos seus aspectos nefandos, sedimenta qualquer processo intercomunicativo.

Impõe-se a todo o interventor no forum partilhar o seu pensamento-verbo, com desejo de aumentar, e não de diminuir a "QUALIDADE" discursiva, ou seja, querendo concriar o universo e os cenários, numa dinâmica de aproximação com os seus interlocutores, contribuindo, para majorar rigores e consistências desses universos e cenários.

 

4. PRINCÍPIO DA LUTA TOLERANTE E FLEXÍVEL COM A PALAVRA

Ninguém deseja verbalizar / realizar o seu pensamento, e construir um universo ou um cenário do real com os outros (ou consigo próprio) nihilizando os outros. Por outros termos, considerar que verbalizar é dialogar (dia-logar), então, lidar com os outros é criar colectivamente ou co-construir, o que, duma forma ou doutra, significa que o contributo de cada um é proposto e cultivado em luta, com tolerância e flexibilidade, à alteridade. Lutar implica propor e defender as suas ideias tentando, por todos os argumentos, CONVENCER o outro da “qualidade” e da beneficiência delas; tolerar implica assumir que o nosso interlocutor tem, igualmente direito ao mesmo movimento, o de nos convencer, relativamente à beneficiência das ideias dele; tolerar é admitir, a-priórica ou a-posterioricamente, da possibilidade e da necessidade de serem activadas e conjugadas, benevolamente, as margens de consenso, a desenvolver, contra as margens de discrepância, a resbater e a reduzir, reciprocamente (no desenvolvimento do intercomunicação).

 

5. PRINCÍPIO DA APODICTICIDADE DA PLURALIDADE EM SEIO CABINDA LIVRE

As intervenções em seio CABINDA LIVRE devem fazer-se, tendo como pano de fundo estes três, vectores de validação:

a) As pessoas que em fórum CABINDA LIVRE discutem e concriam  - como que um software comum a apropriar para motorizar também um hardware comum -  devem saber cada um que ESTÃO CONDENADOS A LIDAR UNS COM OS OUTROS (não por opção, mas por destino), porque falam de coisas que, de igual e inalienável direito, dizem respeito a cada um deles, quando se trate de Filhos de Cabinda. As aproximações, ou os afastamentos, derivantes, funcionalmente, no uso diverso da Palavra, não podem legitimar NUNCA um banimento ou uma (auto-)demissão de um Filho de Cabinda. Tal é a ideia fundamental, de que ninguém é mais ou menos do que ninguém, em termos de Filho de Cabinda. E que somos, feliz e infelizmente, TODOS, havidos no processo, quer eu goste, ou não goste deste ou daquele, quer eu o conheça pessoalmente, ou não.

b) Sendo que o assunto que tratamos não é “MEU”, mas é “NOSSO” assunto, quer dizer, um assunto GRUPAL, deve cada interveniente EMPRESTAR “BOA VONTADE” e intenção de “fazer bem a Cabinda” a cada um dos seus interlocutores. Mesmo a um Irmão não-patriotista, se deve emprestar as melhores intenções, porque reconstruir a PÁTRIA DE CABINDA, orienta cada um para uma óptica de “fazer bem a Cabinda”, um “querer fazer bem” de valor (não absoluto, mas) RELATIVO, logo, chamado a concorrer com as contribuições dos demais confratres, em função centrípeta de uma MAIORIA QUALIFICADA, portanto, de valor absoluto. Cada um é livre de construir e de vender, colegialmente (com os outros), o seu cenário de BEM para o Povo, esse POVO, de que é Filho e herdeiro inalienável.

c) O Fórum CABINDA LIVRE, enquanto seio (assembleário, ou multilógico) de formatação, em cruzamento e confronto são) de ideias QUALIFICADAS sobre o destino do Povo de Cabinda impõe, obviamente, a obediência de cada um ao logaritmo da sinergização criativa, que se pode enunciar nestes três números:

1º) Ninguém pode indagar sobre a “identidade” do outro, porque o que se valida por cima de quem fala, não é quem ele é, mas o que ele pensa-diz;

2º) A dinâmica da Luta tolerante e flexível das ideias-palavras estabelecem maiorias e também minorias. As Palavras-ideias minorizadas deverão, se não abandonadas pelos seus cultores, assumir-se em minoria, admitindo o progresso sinergizador das palavras-ideias maiorizadas: Tal é a natureza dos consensos, ou seja, a natureza de as maiorias qualificadas viabilizarem sinergias, ou seja, forças maiores e melhores.

3º) A luta na argumentação, com sinceridade, frontalidade e negociação,  deve alvejar não a “pessoa”, mas o “discurso”, e, aqui, impõe-se um esforço recíproco de procurar compreender o interlocutor. Tem de se OUVIR o outro, para se lhe responder, esforçando-se cada um por não se ouvir permanentemente só a si próprio.

 

N-M.  March 2003


 

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