CUAL E’ A VERDADE SOBRE OS TRATADOS FEITOS PELOS PORTUGUESES COM OS CABINDAS

E um mito a noção de que os Cabindas tenham ou foram pedir aos portugueses para fazer um tratado que os coloca-se sobre a sua protecção. Não e verdade que os Cabindas hajam sido mais amigos ou tenham tido preferencia pela presença dos portugueses em Cabinda do que pôr outras nações com as quais mantinham contacto marítimo e comercial, esta crença que os Cabindas preferiam a presença dos portugueses a de outra gente e’ erronia.

O Conde Earl Mayo da Inglaterra no seu livro “De Rebus Africanis” que publicou em 1883 com as anotações da viagem que vez a costa de Cabinda diz na pagina 7 da citada obra que “Em Cabinda existe um povo cujo numero e’ ao redor de 10.000, independente, mas muito chegados aos Ingleses. Eles ate constróem largas embarcações para levar o comercio tão longe como Bengella, umas vezes pôr conta própria outras pôr frete a certos comerciantes.
O comércio em Cabinda e de Marfim, borracha e cera e eles também tem tintas e especias os comerciantes Ingleses em Cabinda são a companhia Hatton & Cookson.”

Esta narração por quem esteve em Cabinda antes da chegada dos portugueses a Tchioua e’ muito interessante, verificar que o povo de Cabinda era mais amigo dos Ingleses e dos Holandeses do que dos portugueses em 1883.

Continua o texto do livro do Conde Earl de Mayo na pagina 14 da citada obra “Cerca de 10 milhas e meia ao sul de Kinsembo e’ a embocadura do rio Lodge, presentemente a fronteira mais ao norte do território colonial português em angola. Para alem de este limite a nossa marinha de guerra Inglesa tem ordens estritas para não deixar o governo português içar bandeira ou exercer nenhum direito de soberania seja de que natureza for. Em caso que os portugueses tal intentarem fazer, as ordens são muito restritas indo ao ponto de que se os portugueses tal intentarem fazer a marinha de guerra Inglesa tem ordens de obrigar aos portugueses a imediatamente retirar bandeira.”

Os portugueses chegaram a Cabinda com aguardente nas mãos a oferecer protecção aos Cabinda, desde a sua chegada os portugueses trataram Cabinda não como Protectorado com o dever de proteger e velar pelos interesses de Cabinda e do povo de Cabinda mas sim como mais uma mera colónia portuguesa.

Os tratados de Chifuma, Chicamba e Simulambuco não foram pedidos pelos Cabindas mas sim oferecidos com aguardente e sem a intenção de boa fé, em outros termos foram redigidos e apresentados pelos portugueses com intenções de ma fé.

O comerciante português residente em Kakongo, Jose Emilio dos Santos e Silva em 1885 publicou um resumo histórico daqueles que estiveram presentes na assinatura de tais tratados, com o titulo “Esboço Histórico do Congo e Loango nos tempos modernos” nesta obra na pagina 24 conta “....em agosto de 1883 a corveta Rainha de Portugal, comandada pelo oficial Brito Capello, fazer o protectorado de Kakongo e Massabi. Ao chegar Brito Capello estava o negociante português João José Rodrigues Leitão impaciente, e, sabendo enfim a decisão do governador exultou de alegria e viu a sua obra terminada. Manda chamar os indígenas anunciando-lhes a boa nova, mas ao seu brado entusiástico responde o bocejar dos potentados. Não vieram.”

“Começou então uma campanha para Britto Capello e Leitão. Necessário era fazer chegar essas ovelhas preguiçosas ao redil, e apontar-lhes o perigo, que não tinha cessado ensinando-lhes o credo salvador. Usaram-se todos os meios convincentes e cederam finalmente aos presentes. Então a massa moveu-se; lançaram-se como famintos as migalhas que Brito Capello e Leitão lhes deitavam, e finalmente juntaram-se e apareceram.”

Na pagina 36 da citada obra, falam da forma como os portugueses forcaram o tratado de Chicamba, “Para esse fim se dirigiu-se o delegado do governo as povoações do Massabi e do Chicamba margem esquerda do rio Lueme..... Convenceram-se os indígenas com grande dificuldade e em reuniões solemnes celebradas no Chicamba e Caio se efectuou-se o tratado do Chicamba, que depois de explicado na língua oficial foi assinado a 26 de Dezembro 1884.”

Na pagina 44 da citada obra segue narrando “A ideia que nos tínhamos que os indígenas nos haviam de receber de braços abertos, e a mania de fazer crer as nações, que eles em todas as partes chamam por nos e desejavam a nossa ocupação, como se a superfície pudesse haver alguém, que por vontade se sujeite a um governo perdendo a sua independência e regalias, desde o negro mais estúpido de África ao pelo vermelha mais selvagem levou-nos a conceber e preparar a ocupação do Zaire, da mesma forma como acabaram os que o possuem actualmente.”

Os portugueses fizeram muitas manobras para convencer toda a população da área do Dinge, Massabi e Mayombe, a viram assinar o tratado de Chicamba.

Contudo o povo não queria pôr a sua soberania sob o jugo de uma potência estrangeira, entre os muitos que não estavam de acordo com a presença ocupante dos portugueses em Cabinda eram King Jack, King Franque que mais tarde com promesas e artemanhas induziram a assinar mas Luemba Franque e o Rei do Dinge Mue Nyema se recusaram a assinar o tratado de Chicamba em 26 de Dezembro de 1884.

Os portugueses face a tanta adversidade promoveram o senhor Tiaba da Costa, um natural do Massabe que era naquela altura muito próximo dos portugueses a Capitão de 2 Linha, e o equiparam com armamento e homens trazidos de angola para combater o Rei do Dinge, Mue Nyema.

Da forma como os portugueses tratarão de forçar os Cabindas a assinarem os três tratado a solicitar a protecção da coroa portuguesa certas testemunhas destes actos forcados pelos portugueses aos nativos de Cabinda reclamarão com razão
Deunnet Inglês, Hankeu Holandês, Pichot Francês e o Padre Católico Carrie.

Durante 80 dos 90 anos que os portugueses estiveram em Cabinda o ensino escolar de nível de liceu para os Cabindas era nulo. Essa restrição do ensino secundário para os Cabindas levou a que muitos Cabindas fossem viver e estudar nas Escolas Secundarias dos dois Congos, nessas terras os Cabindas se sentiam mais livres para se formarem e para obter melhores condições de vida.

Durante a presença inútil portuguesa em Cabinda as famílias como os Amandios, Eduardo Fernandes, Pedro Benje, Duque de Ciazi e outros tantos reclamaram durante a presença portuguesa em Cabinda o direito ao ensino e aos outros direitos exarados no Tratado de Simulambuko, o Padre Henrique Gross, missionário alsaciano, que esteve 7 anos em Landana, 7 anos no Lukula-Zenze e 7 anos na cidade de Tchiowa se viu obrigado a informar que recebia ordens do governo de portugual através das confidenciais para não incrementar o ensino dos Cabindas. Todos aqueles filhos de Cabinda que apresentaram estas reivindicações tiveram muitas dificuldades, Muitos deles foram presos e terminaram a vida desgraçadamente nas masmorras do governo colonial dos portugueses.

O primeiro refugiado político defensor de uma autodeterminação para Cabinda a sair de Cabinda devido a repressão das autoridades portuguesas fui Inacio Soka, funcionário na alfândega de Landana que em 1939 se refugiou em Ponta Negra.

Uma das razoes da anexação por parte dos portugueses da administração territorial da Nação de Cabinda com a administração de Angola em 1956, ano da independência do Gana, era para abafar as reivindicações do povo de Cabinda como povo com a sua historia, a sua cultura e a sua geostratégia política entre os dois Congos. Já no tempo do Monsenhor Faustino Moreira dos Santos que esteve na diocese de Cabinda desde 1917 a 1940 se notava que o povo era consciente dos seus direitos exarados no Tratado de Simulambuko. Portanto a ânsia da Independência vinha de ha muito tempo e não e’ dos nossos dias.

E como o governo portugues se apercebia disso começou a restringir o ensino e toda a promoção dos Cabindas na própria terra. Basta verificar que desde a assinatura do Tratado de Simulambuko em 1885 somente em 1967, 82 anos depois e’ que se funda o primeiro liceu em Cabinda.

Na altura que os portugueses deram independência aos Angolanos as autoridades portuguesas foram dos mais duplos e cínicos na historia da descolonizacao. Os portugueses andavam de boca cheia a dizer aos angolanos que os Cabindas pertence a angola, e aos Cabindas diziam que Cabinda não e’ angola pois o tratado de Simulambuko de 1 de Fevereiro de 1885 afirma que Cabinda e’ um protectorado e nunca foi colónia portuguesa. Infelizmente e com muito remorso verificamos que os portugueses não souberam colonizar nem souberam descolonizar e em Cabinda não souberam Proteger, quando o General português Temudo Barata ultimo governador civil e militar em Cabinda saiu de Cabinda e foi esbofeteado no aeroporto pelos militares angolanos do MPLA.

No fim parece que os portugueses gostam mais de recompensar os que os esbofeteam.

Cabinda e os Cabindas sempre se comportaram com honra e honor com a administração portuguesa durante o tempo que os portugueses estiveram em Cabinda durante os 90 anos que durou o protectorado de Cabinda baixo a sua administração portugal não cumpriu com as obrigações assumidas e não souberam ser protector se o mesmo tratado tivesse sido celebrado com os Ingleses a Inglaterra teria sido mais organizada, leal e cumpridora dos seus deveres, infelizmente portugal não desempenou nem soube desempenhar o papel que veio a nos oferecer em 1885.

Que o Povo de Cabinda tenha claro e na sua consciência que Cabinda não faz parte da lusofonia.

A cultura portuguesesa e’ uma cultura medíocre e não tem lugar e nem aceitação pelos Cabindas.

Cabinda e’ Ibinda, não lusofona. Cabinda e’ de extracção Africana de Grandes Nobres, não e’ de extracção europeia.

Viva a nossa Cultura, viva as Tradições Cabinda.


INDEX - SITE MENU