CABINDA SEUS NOMES E PROVENIENCIAS

A bordo da nau “Senhorada Atalaia", um navegador europeo chamado Ruy de Sousa, em cumprimento das ordens de Diogo Cão, subiu a costa de Africa, a partir do Zaire, e mandou lançar ferro ao largo de uma terra chamada Tchiuna, pequeno porto de pesca e senhoria de Mafuca Binda o senhor da terra.

A armada em que partiu Ruy de Sousa saiu de Lisboa em 17 de Dezembro de 1490 e era comandada por seu tio, Gonçalo de Sousa. Tendo Gonçalo de Sousa falecido durante a viagem. toma o comando da armada Ruy de Sousa, que chega ao Zaire a 29 de Março de 1491.

E seria já em 1491, logo depois da sua chegada, que Ruy de Sousa teria fundeado no Golfo das Almadias ou Baía das Almadias, nos mapas de Diogo Homem e de Pigafetta, que ainda estava muito longe de ser conhecida por Bala de Cabinda.

Almadias, como se sabe, eram e são as pirogas, canoas escavadas em troncos de árvores. Ainda hoje a Baía de Cabinda, com as suas abundantes canoas, continua a ser uma Baía de Almadías!...

Diogo Cão, visitou e deu o nome às seguintes terras: “As duas Moutas (Mamas de Banda), a Praia Formosa de S. Domingos (Loango), a Ponta Branca (Lândana), a Ponta da Barreira Vermelha (Malembo) e o Cabo do Paúl."

Não consta, pois, que Diogo Cão tivesse parado na Baía das Almadias, a nossa actual Baía de Cabinda.

Há, de facto, uma forte tradição muito seguida de que teria sido Ruy de Sousa, no ano de 1491, o primeiro navegador europeo a fundear no Golfo ou Baía das Almadias. Muitos outros depois dele por cá teriam passado, não tanto, primariamente, para negócios, mas para se Proverem de água doce.

De quando data o nome de Cabinda e de onde provém?

O nome de Cabinda parece ter sido dado antes pelos Europeos do que pelos Nativos. Cabinda só aparece entre os nativos depois de estarem em contacto com os Europeos.

Há quem faça derivar a palavra Cabinda e com certa base, da união da última sílaba da dignidade de Mafuca com o nome de um Chefe Binda que tinha essa mesma dignidade de 'Mafuca (que era ministro do Rei de Ngoio e não o dono da terra de "Cabinda"). Daí Mafuca Binda teria dado origem a Cabinda. E, na verdade não vemos muito mais de onde se possa fazer derivar a palavra.

Mafuca era como que um Intendente Geral do Comércio, nomeado pelo Rei de Ngoyo, e que em nome dele tratava, sobretudo com os Europeos, dos assuntos de comércio e transacções.

Já se encontra em escritos do Século XVI e XVII o nome de “Kapinda" para designar a terra e porto de Cabinda.

Mas o nome de Cabinda é mais usado pelos europeus do que pelos naturais. Era, queríamos dizer, que hoje se lhe não dá outro nome.

Mas ainda na época de 1940 era mais fácil ouvir se dizer a um nativo do interior "Vou a Kiona (Tchioua e não Tchiuna) do que Vou a Cabinda".

Kioua (Tchioua) designava praça, mercado. E ninguém pode negar que Cabinda foi grande: mercado de escravos (parece que mais frequentado, para esse fim, por europeus Ingleses, Franceses e Holandeses. Mas não só escravos. Comércio de peixe, de produtos da terra, de panos “lubongo" e de sal que corriam pelo Interior como moeda. O sal era mercadoria pertencente aos senhores grandes da costa. Era conseguido o sal através da água do mar, fervida em grandes panelas de ferro. E, como era monopólio dos grandes, os pequenos nem água podiam extrair do mar!...

Nestes negócios estava sempre metido, em nome do Rei, o Mafuca.

Cabinda também foi conhecida por Porto Rico. Porto Rico pertencia à família Franque, que, por várias causas, se tornou rica e poderosa, não sendo o negócio da venda de escravos a menor fonte dessa riqueza.

Porto Rico era o lugar onde hoje se encontra o Palácio do Governo de Cabinda. Foi comprado esse lugar de Porto Rico à Família Franque, em Março de 1885.


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