Carta ao povo Português

É com o sangue no corpo e as lágrimas nos olhos que nos dirigimos a vós,o nobre povo Luso.

Nós Cabindas aprendemos a admirar o Infante Dom Henrique, Diogo Cão,Vasco da Gama. Ouvimos falar de El-Rei D. Carlos, do 5 de Outubro e do 25 de Abril. Foi-nos prometido o diálogo, mas ele nunca se consubstanciou. O roubo por parte dos angolanos das nossas riquezas (o petróleo, madeiras, diamantes, ouro, etc..) mantém o povo de Cabinda na miséria, e quem as rouba é o MPLA, com a ajuda da multinacional Chevron Texaco. Eles vivem acima da lei e são impunes às leis internacionais.

Angola, que nos invade, é o país mais corrupto do mundo, e’ sem surpresa um dos mais pobres, apesar das riquezas que possui e das que rouba à nação de Cabinda. Em Angola uma em cada quatro crianças morre antes de chegar ao primeiro aniversário.

Assim está o pais que as autoridades portuguesas nos deixaram entregues. Angola recebe em receitas de petróleo 5 biliões de dólares por ano, 4 biliões são provenientes do petróleo roubado à nação de Cabinda. Mas o dinheiro do petróleo só tem enriquecido aos Luandenses. O presidente criminoso Eduardo dos Santos é o angolano mais rico do país.

Nós somos um espinho cravado na alma lusitana, que não encontrará sossego enquanto não se redimir do esquecimento a que nos tem votado.

Há novas Aljubarrotas a travar, para que se cumpra o desígnio que vos trouxe até estas paragens.

A História não acabou com a descolonização. A descolonização ainda não acabou.

Há aqui uma diocese escravizada, onde os padres são os melhores amigos do povo. Há ainda a esperança num milagre.

A Independência de Cabinda é uma inevitabilidade histórica, que mais cedo ou mais tarde terá que suceder. Nós sabemos que vós sois o povo de Santo António, da Rainha Santa. Rezai por nós.

Quem tão bem soube aplaudir D. Ximenes Belo, bispo de Dili, também saberá concerteza ouvir D. Paulino Fernandes Madeca, o nosso bispo, quando a todos chama a atenção para aquilo que sofremos. Temos um vigário-geral e temos sacerdotes que são os nossos autênticos anjos da guarda, benzendo-nos e curando-nos as feridas quando caímos por terra, vítimas da violência. Temos, acima de tudo, o desejo de preservar a nossa identidade, que não é a mesma dos congoleses ou dos angolanos. É apenas a de um povo de 600 ou 700 mil almas que tem uma cultura própria,
alicerçada há mais de 120 anos.

Nós vos pedimos que no vosso Parlamento, nas vossas escolas, nas vossas rádios, falai de nós, os Cabindas, aqueles que sofrem mas não desistem, os que preferem ser mártires a claudicar, a ceder.

Em Lisboa, no Porto, no Funchal, em Angra do Heroísmo, falai de nós, ajudai-nos!

Ajudai-nos a lutar pelo que é justo e é devido ao Povo de Cabinda!

25 Decembro 2003
Em nome da Liberdade e da Justiça,
N’Zita Henriques Tiago
Presidente da FLEC-FAC
www.cabinda.net

_______________________________________________________________________________________________________

 

MENU - INDICE