Indice | Cap.I | Cap.II&III | Cap.IV | Cap.V | Cap.VI&VII | Cap.VIII | Cap.IX | Cap.X | Cap.XI & XII | Cap.XIII & XIV | Cap.XV | Cap.XVI | Cap.XVII | Cap.XVIII&XIX  | Cap.XX | Cap.XXI | Cap.XXII  | Cap.XXIII | Apendix
 

CAPITULO IX

PLANTAS MEDICINAIS E O SEU USO E APLICAÇÃO








A par do Nganga-Nkisi, existe o Nganga-Meza - (Lieza, pl. Meza - folha, folhas) o «feiticeiro» das folhas, o curandeiro-ervanário.
Não raro, mas atribuindo os bons resultados obtidos antes a suas maningâncias e sortilégios, o Nganga-Nkisi também se faz passar por Nganga-Meza.
O que se dedica só à ervanária é, em geral, um Nganda-Meza bastante sério. Procura, não haja dúvida, resguardar o mais possível os segredos da sua arte e das folhas e plantas medicinais.
A preocupação que tem em dar com a doença, debelá-la e curá-la, é tanto maior quanto é certo não ter interesse algum em passar por fazer mal ao doente ou até por o ter envenenado, caso venha a falecer.
Os povos da antiguidade deitaram sempre mão dos remédios da natureza. As gentes do País Cabinda não fizeram excepção à regra.
Muitos, de entre esses povos, foram célebres e magníficos ervanários. Das terras de Cabinda saiu o velho Luís Sambo que, ao morrer, deixou os seus conhecimentos ao neto, José Sambo, hoje muito bem estabelecido, como ervanário, no centro da baixa da cidade de Luanda.

Podemos precisar que Luís Sambo era natural de Lândana.
Foi aluno dessa Missão. Em 1890, quando o P. Krafft seguiu para a fundação da Missão de Malange, Luís Sambo acompanhou-o.
De Luís Sambo se diz ter descoberto cerca de 450 plantas medicinais, entre as quais uma com que curava a tuberculose.

A lista das plantas que apresentamos, sua aplicação e emprego, à excepção de uma meia dúzia (esta dos estudos do Ir. Evaristo Campos, C. S. Sp. e do Ir. Gillet, S. J.) foi por nós recolhida directamente da boca dos naturais do interior de Cabinda e muitas vezes depois de vermos a sua aplicação e resultados obtidos.
Podemos mencionar os nomes de Catarina Buiti, Estanislau Kimpolo, Pedro Nkonde, Cecília Mangovo, etc.
Os nomes botânicos procurámo-los nos estudos de Gosseweiler , de E. de Wildeman e M. Vermoesen (in Congo, 1922 - citados pelo P. Bittremieux).
E Ir. Evaristo Campos, "Algumas plantas úteis e nocivas do País de Cabinda» (manuscrito).
 

BANGU-NZEKETE - (Carpolobia alba)

A raiz, limpa, e muito bem mastigada, sorvendo-se-lhe o suco, ou colocada em infusão numa garrafa com água, que se deve agitar fortemente, bebendo-se a água da infusão aos golos, é usada contra as doenças de ventre.
 

BATA-BATA - (Swartzia setellarcoides)

O látex, branco e gomoso, é usado em loções na cura de conjuntivites e outras afecções oculares.
Há uma outra espécie de BATA-BATA, a Farva salutaris. Suas folhas são usadas em infusões e cozimentos para debelar a blenorragia e outras doenças das vias urinarias.
 

BIVA-BIBIVA

Pequeno arbusto. Golpeia-se e recolhe-se a seiva, que é leitosa.
Actua como purgante.
Adultos: 3 a 4 gotas num copo de vinho de palma.
Crianças: 1 a 2 gotas.
Efeito rápido e violento.
 

BUNZI - (Alchornea cordifolia-Muell)

Arbusto dioico.
A raiz, fervida em água, bochechando-se essa água depois de morna, é usada contra as dores de dentes.
As folhas ou raízes mastigadas são empregadas para o mesmo efeito.
Chá da casca e entrecasca, depois de bem limpa, empregada contra a diarreia sanguínea.
As folhas, lavadas e pisadas, aplicam-se na cura de feridas; fervidas, nas contusões.
 

BUZAZANGI - (Albizzia Leboek (Bent?)

O chá das folhas é usado contra a diarreia sanguínea.
 

KIKUALA (I) - (Pausinystalia yohimba, Pierre ex Beille)

A casca, que contem alcalóides, mastigada ou em infusão em bebida alcoólica, é usada como estimulante ou excitante erótico.
Há ainda as espécies: P. angolensis Wernham e P. Mayumbensis, R. Good.
Referindo-se à P. angolensis, Gosseweiler escreve: «Desconheço o resultado dos estudos feitos por Raymond-Hamet com a casca desta, árvore.»
 

KILOLO-KINTANDU - (Annona arenaria, Thonn)

O chá da entrecasca é usado contra a diarreia. Tomar duas ou três vezes ao dia. O mesmo chá também para combater à tosse.
As folhas, mastigadas, sorvendo o suco, são usadas contra os gazes intestinais.
 

KIMBANZA - (Eleusine indica)

Arbusto das planícies que contem um bom tanino com que costumam tingir as redes, pintar as panelas, etc.
Nas redes dá uma cor castanho-escura; nas panelas, aplicado em quente ao saírem do forno da cozedura, dá preto.
O chá da casca e entrecasca, bem limpas, é usado contra a diarreia.
Mais: depois de tirar a parte exterior da casca, raspar bem até ao pau uma boa quantidade. Deixa-se em infusão, num recipiente com água, até tomar a cor vermelha-arroxeada. Junta-se-lhe uma colher de sal, o máximo duas, conforme a quantidade de água. Coa-se e guarda-se. Essa infusão a usam na cura de névoas oculares ou até em vista fraca e cansada. Usamos o tratamento na cura de uma névoa ocular de um cão. Deu certo resultado.
O nativo Tomás Pequeno, do Fubu, afirmou ter usado nele próprio e com bom resultado. O chá da casca, depois de bem limpa, também é usado contra as dores de dentes.
 

KINZIKILA-NKUEKEZE

A raiz, bem raspada, fervida em água juntamente com sumo de limão, é usada em lavagens na cura de blenorragia.
 

KUAKU (Ki-Bi) - (Oncoba dentata - ou Lindackeria dentata (Oliv.) Gilg?)

Folhas desta planta juntamente com as da NSASA - (Pachystela Brevipes, Baill), de MVANZA - (Pentaclethra macrophylla), as de MBAMBA - (Croton olígandrum), as de NIOMBA (LOMBA (O) - (Pycnanthus Kombo) e as de LISISA-SISA (Afromonum Laurentii) são usadas contra a febre em suadoiros.
Procede-se do modo seguinte:
Essas folhas, tantas de uma qualidade como da outra, mais ou menos, são fervidas em conjunto em panela tapada com folhas de bananeira, que são amarradas aos bordos da panela para que não saía o vapor de água.
O doente cobre-se com cobertores, sacos, esteiras e não sei que mais. Debaixo dessa «cobertura» toda deve estar sentado ou de cócoras, tendo à sua frente a panela. Com um pausito ou com os dedos irá furando as folhas de bananeira que tapam a panela, recebendo assim todo o vapor que dela vem. Usado na cura de febres.
 

LIAKA - (Manihot utilissima). Mandioca.

Quando sentem um furúnculo a começar, tomam folhas de mandioca, que aquecem muito bem ao fogo, e aplicam-nas sobre o local. Não raro acontece que os furúnculos desaparecem ou não se desenvolvem mais.
Deitam mão do mesmo processo para fazerem desinchar as mãos, pés, etc.

LIAMBA - (Cannabis sativa, L. - Cannabis indica) -Cânhamo.

Fumam as sementes e folhas. É um forte narcótico e estupefaciente. É a Marijuana.
 

LIBA - (Elaeis guineensis). Palmeira do dendém.

As raízes novas e tenras, depois de pisadas, são usadas como estimulantes dor órgãos sexuais masculinos.
O mesmo fazem com as raízes do coqueiro - (Cocus nocifera).
 

LIBUMBULU - Mamordica balsamina)

Morde ou dói a barriga? Pisam-se muito bem folhas de Libumbulu. Deitam-se num copo com água, mexendo-se muito bem. Passado algum tempo de infusão, coa-se e toma-se.
Dizem actuar como vermífugo, sobretudo nas crianças. A seiva é usada, com bons resultados, na cura de feridas.
Também pisam os frutos (vermelhos) e folhas que tomam em chá contra os vermes intestinais.
 

LIFUBU - (Ananassa sativa, Lindl.). Ananás.

Vimo-lo aplicar na cura da varicela e até varíola.
Descasca-se o ananás. Em seguida, com uma faca, vai-se raspando. Pisam-se muito bem duas ou três colheres de sal. Junta-se este ao ananás já raspado de modo a fazer-se uma massa homogénea. Esfrega-se o corpo com esta mistura duas vezes por dia. Antes da aplicação o doente deve lavar-se, mas só com água fria.
Bons resultados se conseguem. O certo é que são mui raros os nativos de Cabinda com marcas de varíola.
 

LIIUKA - (Crassula?)

Usado contra as dores de ouvidos. Pisam-se muito bem as folhas tenras e deixa-se cair o suco, espremendo, nos ouvidos.
De resto, o termo LIIUKA faz-nos lembrar o verbo KUA = ouvir, e a expressão: Ngeie likua? - Tu ouves?
 

LIKAZU - (Cola Ballayi - Cola acuminata)

A noz de cola é usada como estimulante e peitoral. Também a usam como narcótico (?).
Os nativos, sobretudo os mais velhos, mastigam quase continuamente a noz de cola. Actua sobre o sistema nervoso e muscular. Colocada em infusão em vinho ou aguardente dá óptimo tónico e estimulante. Isto o vimos fazer até a europeus.
Ao doente que fracturou uma perna, braço, etc., etc., usam, antes de amarrarem as talas que devem manter direitos os ossos, fazer uma compressa de casca de Likazu bem pisada. Antes da aplicação da compressa o local deve ser esfregado com sabão.
Este processo o vimos empregado num nativo que havia partido as duas pernas e em vários lugares cada uma. O endireita era um verdadeiro «artista». O doente ficou perfeito.
O Likazu também é muito usado pelos feiticeiros e curandeiros. Costumam mastigar a noz de cola e borrifar com ela os consulentes: Kufula makazu. Borrifam-lhes a testa, os ouvidos, etc., etc.
 

LILEMBA-LEMBA - (Brillantaisia alata)

As folhas servem para temperar e tornar menos duras as galinhas, segundo afirma o Ir. Gillet, S. J..
É também planta usada em feitiçaria e magia.
Quando o filho se zanga com os pais não poderá ter sorte na caça ou na pesca, etc. O filho vai, então, ter com o pai para fazerem as pazes. O pai diz tudo quanto tem contra o filho, o que lhe vai lá dentro...
Finda a «confissão» dá-lhe a benção (Kuvana miela) e entrega-lhe algumas folhas de «Lilemba-Lemba» a fim de passar toda a discórdia.
«Lilemba-Lemba» vem de LEMBA - adoçar, acalmar. É pois a planta, o «Lilemba-Lemba», que leva e dá a calma. Por isso é plantada junto dos locais onde se resolvem as questões do clã para dar a calma aos que tratam desses assuntos!
 

LILOLO - (Carica papaya)

Fruto muito alimentício e, sobretudo, um óptimo auxiliar da digestão.
As sementes, tomadas ao natural, usam-se como laxativo.
Com as folhas envolvem muitas vezes as carnes, especialmente frangos. Dizem que torna a carne mais tenra.
 

LIMANU - (Citrus limonia, Osbeck)

O P. Merolla afiança que foi com algumas gotas de limão que se livrou, que serviu de antídoto ao veneno que lhe haviam ministrado. Mas qual veneno? Isso não diz.

LIMONA - (Ricinus communis, L.)

A seiva é usada na cura de cortadelas, golpes recentes.
As sementes mastigadas, as usam como purgativo.
 

LINDULI-NDULI - (Quassia africana, Baill - Cinchona calisaya)

As folhas, depois de bem pisadas, colocam-se em infusão num copo de água. Essa infusão é usada, sendo coada, quando se urina sangue. Podem beber-se dois a três copos por dia e durante um ou dois dias.
O suco que se pode extrair das folhas, mastigadas e sorvendo-se-lhes o suco, é usado contra as dores de ventre.
Casca e folhas são também usadas como febrífugo.
Com esta planta tratam o sarampo e varicela.
Procedem do modo seguinte:
As folhas, bem pisadas, misturam-se com Nzo-Mpati (Casa da Mpati), ninho da mosca esfex, depois de bem moído. Faz-se uma pasta bastante consistente com as folhas e o pó do ninho da Mpati. Esfrega-se o corpo dos pacientes duas vezes ao dia com essa mistura.
Antes de cada aplicação, tomar banho em água fria.
Bons resultados obtidos.
O chá da entrecasca, contra as dores de dentes.
Folhas cozidas e esfregando o corpo com elas, contra a sarna.
 

LINHO-NHOKA - (Cassia occidentalis, L.) - E o fedegoso.

Chá das folhas, quando as fezes são purulentas,
Água, depois de nela terem estado raízes desta planta em infusão, contra as dores de ventre.
Chá das raízes, na cura da blenorragia ou quando se tem retenção de urinas.
Chá das folhas ou raízes, usado com muito bons resultados, na cura da icterícia. Não deve beber-se de outra água durante o tratamento. Não usam dieta,
Folhas e raízes, em chá, na cura de febres palustres.
As sementes torradas, moídas e fervidas, dão uma bebida contra os vermes intestinais. A planta, pulverizada e diluída em água, é usada como febrífugo e purgativo-calmante. (Na A. E. F., em tempos, havia séria protecção a esta planta).
 

LISISA-SISA - (Afromomum Laurentii)

Também lhe chamam (cf. em Gosseweiler) Ukisia-Nsisa, Nsika. Usa-se na cura da sarna. Procede-se da mesma forma como com o Linduli-Nduli para a cura do sarampo, isto é, pisando-se muito bem o caule e folhas da Lisisa-Sisa juntamente com os ninhos Nzo-Mpati.
É também planta usada em feitiçaria e magia.
Nas suas apresentações e danças, os Zindunga costumam trazer um ramo de Lisisa-Sisa seguro entre as espáduas fazendo-o sair, com a flor, por cima da cabeça.
 

LISUSU-SUSU - (Ocimum arborescens?)

O chá das folhas é usado contra as dores de cabeça e contra a febre. Contra as dores de cabeça também usam pisar as folhas e colocá-las nas narinas.
Chá das folhas, ainda usado nas constipações.
Os nativos têm o Lisusu-Susu como sendo o alho e cebola indígena.
 

LITOBA-TOBA - (Physalis minima)

Folhas trituradas e diluídas em água, é usada esta água como calmante e obstruente (Ir. Evaristo). Deve usar-se em pequenas doses, uma vez que é bastante venenosa esta planta. É o «alquequenje venenoso.»
 

LITONDE - (Lentinus tuberregium)

Comestível, quando novo e tenro.
É planta «feitiço».
 

MAVUMA-VUMA - (Palisota ambigua)

A seiva desta planta e a da árvore MBENENE é usada na cura de ferúnculos. Sentindo-se aparecer algum, costumam dar uns golpes no local untando. depois com a mistura da seiva dessas duas plantas.
 

LOKA - (Cussonia Brieyi, Dewild.)

Loka-Loka, ou Madungo Mankombo.
A casca, depois de limpa, bem raspada e lavada, usa-se na cura de feridas.
 

LUBOTA - (Milletia Demeusei)

É árvore sagrada.
As suas folhas, afirma o Ir. Gillet, s. j., colhidas ao cantar do galo e cozidas em água, dão uma eficaz bebida contra os vermes intestinais.
 

LUBULA-NDUMBA

Lubula-Ndumba significaria, em perífrase, o seguinte: estar com atenção para ver quando pode ir ter com a «Ndumba», a mulher de vida fácil.
É um pequeno arbusto. Parece-nos da família da Urena lobata.
A casca, muito bem pisada, é usada na cura de feridas, em curativos diários, depois de muito bem lavado o local. Conseguem-se bons resultados.
 

LUSAKU-SAKU - (Cyperus sp.)

As partes nodosas das raízes dão uma polpa usada contra a dor e para defumar os feitiços (Ir. Gillet.)
 

LUTABULA

É uma trepadeira.
As folhas usam-se na cura de feridas. Depois de aquecidas um pouco ao fogo, a seiva dessas folhas é espremida sobre a ferida. Uma dessas folhas, depois, é colocada sobre a ferida que, de início, deverá ser bem limpa com água quente.
 

LUTETE-LUMEME - (Picralima Klaineana, Pierre)

Quando a barriga «morde», tomam-se as sementes e casca desta árvore depois de fervidas em água ou mastigadas simplesmente. As sementes são muito amargas.
Quando se sentem dores provocadas pela quebradura usa-se do mesmo modo. Dizem que se obtém certo alívio.
 

LUZIZI - (Ipomaea sp.)

As folhas, depois de limpas e pisadas, são espremidas sobre as feridas até deixarem cair algumas gotas de suco. Por cima da ferida aplica-se uma outra dessas folhas, 'bem lavada, e áta-se a ligadura.

MALEMBOZO - (Carpodinus rufinervis, Pierre?)

Malembozo ou Nlembozo.
As folhas desta trepadeira mastigam-se quando se sentem os dentes embotados.
Em chá, as folhas são usadas contra a tosse forte. Dizem ainda que as folhas, pisadas e esfregadas no corpo, têm o condão de entorpecer as cobras que, então, não ferrarão.
Usam fazer isto sobretudo quando sobem às palmeiras onde, com frequência, se encontra a cobra Nlimba. Daí o adágio: Nlimba ukandikila ngazi - A Nlimba proíbe cortar o dendém.
 

MANGUEIRA - (Mangifera Indica, Linn.)

Folhas e casca cozidas na água dos banhos das parturientes como adstringente.

MBALA-TALI - (Dioscorea alata)

As folhas, pisadas e esfregadas no corpo, usam-se contra a febre.
 

MBAMBA - (Croton Oligandrum, Pierre)

As folhas são usadas em suadoiros. Veja-se em KUAKU.
 

MBANZA-NKUMA

A casca bem limpa e fervida. Bochecha-se depois a água contra as dores de dentes.
 

MBENENE (ou só MBENE) - (Conopharyngia angolensis, Staf.)

Os frutos, cozidos com mandioca, costumam dar-se às cadelas que não tem leite para alimentar os filhos. Afirmam que faz vir o leite.
É interessante saber-se que mamas, seios, se chamam, precisamente, Mabene.
Para pessoas toma-se só a água depois de nela ferverem esses frutos. A água fica leitosa.
Também usam ferver simplesmente dois ou três frutos na comida da mulher que não tem leite para amamentar o filho. Dizem que se cozerem mais de dois ou três frutos pode produzir efeito de purgante.
A casca da MBENENE, limpa e depois de muito bem raspada, deita-se numa garrafa com água ou vinho de palma juntamente com uns quatro grãos de pimento indígena (kindungu - Capsicum frutescens, Linn). Este «composto» costuma ser usado para cura da quebradura recente, logo que se sente. Toma-se, mais ou menos, conforme as dores que se sentirem. Um golo de cada vez. Isto deve usar-se logo que se sentiu quebrado. Afirmaram-me, e dando nomes de pessoas que assim procederam, que dá bom resultado.
A seiva de MBENENE, juntamente com a de MAVUMA-VUMA, é usada na cura de furúnculos. Vejase Mavuma-Vuma.
 

MBILI - (Canarium Schweinfurthií)

A resina é usada em cáusticos e cataplasmas. Essa resina também serve de incenso e até o dão como sendo o verdadeiro.
Gosseweiler escreve: «Do tronco desta árvore exsuda uma resina que é tida por um dos mais eficazes e célebres medicamentos da farmacopeia africana».
 

MBUILU-BUILU

As folhas desta planta, bem pisadas, são colocadas em infusão, em água, durante algum tempo.
Coada a água, toma-se duas a três vezes ao dia contra a diarreia ou mesmo dores de ventre.
 

MOMBAGA-NKUEKEZE

As raízes e folhas deste arbusto, depois de bem trituradas, as usam os naturais em inalações ou fricções na cura, respectivamente, de dores de cabeça, constipações e dores de peito.
 

MPALA-BANDA (MPALABANDA) - (Hymenocardia acida, Tul)

Chá da entrecasca administrado aos garotos, quando as fezes não são normais.
 

MPUNGA (ou TUNGO) - (Urena lobata)

A raiz é empregada para alívio de incómodos intestinais, em chá ou mastigando-a depois de bem limpa.
 

MUAMBA - (Polyalthia suaveolens, A. C.)

Chá da raiz, depois de muito bem raspada, usa-se contra as lombrigas.
 

MUMBIEMBE (Mimbienbe)

É uma trepadeira. O caule muito bem pisado é usado contra os furúnculos.
 

MVANZA - (Pentaclethra macrophyIla, A. C.)

Chá da entrecasca usado contra as dores de ventre.
Deve tomar-se duas a três vezes ao dia.
Usa-se também em suadoiros. Veja-se em KUAKU.
 

MVOKA - (Persea gratissima, Gaertn - Laurus Persica (?)

O fruto é um forte alimento. É o abacate.
As folhas são peitorais, estomacais e usadas na cura de feridas.
Chá das folhas para os rins.
O caroço é adstringente e é também um tintorial indelével. Vimo-lo ser usado na marcação de roupa. Esta, colocada sobre o caroço é picada no formato ou com os números que se desejam.
Usam também comer o abacate como estimulante erótico. Os abacateiros do País de Cabinda dão frutos muito grandes e muito gostosos, maiores do que as maiores pêras que se possa encontrar na Europa.
 

MVOKE (MAVOKE) - Landolphia ochracea, R. Schum?)

As folhas, depois de muito bem pisadas, ficam em infusão em vinho de palma. Não deixar muito tempo, não esquecendo que o vinho de palma ao segundo ou terceiro dia está fermentadíssimo.
Usa-se contra a prisão de ventre.
 

NFINGU- (Abrus precatorius, L. ou Abrus pulchellus

As folhas, ou mastigadas sorvendo-se-lhes o suco ou, depois de pisadas, postas em infusão num copo de vinho de palma, usam-se para combater a tosse.

NFUTA-FUTA (Mafuta-Futa)

Ferve-se a casca em água, que toma a cor vermelha. Depois de frio, toma-se este chá na cura da blenorragia umas três vezes ao dia.
 

NGUBA-NGUELO - (Jatropha curcas) - Purgueira.

Da semente se extrai óleo purgativo. Daí o nome «purgueira»,
 

NHONDO (Zinhondo)

A seiva é purgativa.
Adultos: 3 a 4 gotas num copo de vinho de palma.
Crianças: 1 a 2 gotas, conforme a idade.
 

NKAIA

As folhas, bem pisadas, chegam-se ao nariz contra as dores de cabeça.
A raiz raspada e chegada ao nariz é um excitante fortíssimo e usa-se contra os desmaios ou quando se está variado e com febre. Ou se lhes dá a cheirar, aos desmaiados, ou mesmo se lhes mete no nariz.
 

NKAFU

Usado na cura, dizem, das hemorroides (Luilua).
Procede-se do seguinte modo:
Deitam-se ao fogo duas ou três pedras até ficarem o mais quente possível.
Enche-se uma bacia com água fria, onde serão lançadas essas pedras depois de muitíssimo quentes.
A bacia é coberta por pausitos ou pequenas ripas entrelaçadas a fazer uma espécie de grade, sobre as quais, e tapando tudo totalmente, se espalham folhas de NKAFU.
O indivíduo coloca-se em posição de receber o vapor directamente e aproximando-se o mais que possa. Faz-se isto duas vezes por dia, de manhã e à noite, até ficar curado... O indígena NGAKA, da aldeia de Kai-Kongo, tendo andado por hospitais e postos sanitários, sem resultado, acabou por se curar totalmente por este processo, me contou ele.
 

NKA-KASA (ou NKASA-KASA) - (Albizzia fastigiada)

A entrecasca, bem espremida juntamente com a seiva de NKUISI, aplica-se nas narinas contra as dores de cabeça.
A casca, depois de bem raspada e pisada, usa-se na cura de feridas.
A entrecasca e casca, limpa e pisada, é usada em chá juntamente com a NSENGA (Musanga Smithii) e um pouco de pimento contra a tosse. Adoça-se o chá.
A seiva é usada em lavagens externas contra afecções de origem sifilítica.
 

NKAKATI (Minkakati)

Contra a tosse.
Raspa-se a parte interna da casca, que se ferve em água com sal e pimenta (kindungu; biázi).
Depois de coada, toma-se duas a três vezes por dia.
 

NKANGA-LUBUMA (outros lhe chamam Nguba-Nguelo?) - (Jatropha Curcas, Lin.)

Nkanga-Lubuma, traduzido à letra, daria: amarrar o golpe. A casca, bem pisada, é, na verdade, aplicada na cura de feridas, golpes.
As sementes são purgativas e em larga escala.
Alguém tomou, sem saber os efeitos, duma só vez, umas 15 a 20 sementes. Dizem ser muito gostosas. Pouco tempo depois de as haver tomado começou a sentir-se indisposto, resultando dessa indisposição vómitos contínuos e amiudada purgação (diarreia) seguida de cólicas violentas.
Em um aluno da Missão, que somente tomou umas 4 a 5 sementes, agiu como purgante.
 

NKASA - (Erythrophloeum Le - Testui -A. Chev.)

É a chamada «CASCA».
A casca desta árvore, que contem forte alcalóide, usava-se (e não se usa?) nas provas judiciais entre os indígenas. Pode actuar como purgante ou como emético.
Actuando como emético, vomitando, portanto, tomam (ou tomavam) o facto como inocência do indivíduo.
Dizem que os curandeiros sabem bem dosear... Escapará quem mais pagar e, portanto, o que conseguir vomitar o veneno.
Gosseweiler diz que esta árvore não é idêntica ao «manconé» da Guiné Portuguesa mas que, contudo, a sua «casca» é empregada, segundo consta, nas provas judiciais, no Congo e Maiombe».
 

NKATU - (Opuncia ficus indica)

As folhas usam-se na cura de feridas. São aquecidas ao lume e aplicadas no local ferido. O doente, o ferido, por sua vez, também deverá ficar junto ao fogo com a parte doente para ele voltada.
As folhas, bem pisadas, são usadas em cataplasmas emolientes.
 

NKAZU ou MPINGA-a-MPUTU - (Anacardíum occídentale, Lin.)

É o cajueiro.
Chá da casca, na cura dos diabetes e também contra a diarreia.
 

NKAZU-NKUMBI

Faz-se chá da casca, depois de bem limpa. Contra a diarreia sanguínea.
 

NKONDO - (Adansonia digitata, Lin.) - O Embondeiro, Baobá.

A polpa do fruto, que é branca e ácida, usa-se, depois de seca ou em infusão, na cura de hemoptises e desinterias.
Da casca e folhas dos ramos novos fazem chá preventivo contra febres palustres.
 

NLI-LIBU (ou Nlibu-Libu)

Casca fervida, coada e tomada como chá, contra a tosse quando a expectoração é difícil.
 

NLOMBA (Niomba) - Pycnanthus Kombo, var. angolensis)

Chá da entrecasca juntamente com a de NKUMBI (Lannea Welwitshii) e a de NFINGU (Abrus precatorius) e juntando-se-lhe ainda a flor de NKUISI, quando se sente o corpo moído e dorido.
No primeiro dia tomar umas três vezes e, melhorando, uma vez por dia.
 

NLUNGU (Inlungu)

Chá de entrecasca contra a tosse
 

NSAFUKALA (SAFUKALA) - (Pachylobus pubescens, Vermoes)

Chá da entrecasca, três a quatro vezes ao dia, na cura da diarreia sanguínea.
É da resina desta árvore que os naturais costumam fazer tochas.
 

NSAKA (Zinsaka) - (Sideroxylon dulcificum, D. O.)

É um arbusto.
Seus pequenos frutos gozam da fama de converter a acidez dos frutos em doçura agradável.
As propriedades dulcificantes encontram-se na polpa fina e tenra do fruto, que é avermelhado.
Os indígenas têm mesmo um provérbio alusivo:
Lifubu nkuá-nganzi: Muntu nsaka nlendula.
O ananás ácido: O homem acalma (essa acidez) com a Nsaka (ou SAKA).
As mesmas propriedades são atribuídas ao Thaumatococcus Danielli. A este os indígenas apelidam de NSAKA-MBANDA.
 

NSAKU-SAKU - (Symbopogon densiflorus, Staf?)

Torra-se o tubérculo desta planta muito bem torrado, reduzindo-o depois a pó. Juntamente se torrarão também folhas da liana NSONGO-NZADI. (Lepra -Nsongo buazi).
Ao pó torrado conseguido junta-se-lhe um pouco de pólvora, pisando tudo junto.
Esta mistura é deitada em dois ou três litros de vinho de palma, que se deixou fermentar durante uns dois dias.
Empregam esta mistura nos leprosos. Antes de se aplicar o «medicamento» devem limpar-se e raspar-se as crostas das feridas. Depois de untado, o leproso vai para o sol.
Colhem-se bons resultados com esta aplicação?
Não o pude saber ao certo. Mas imagina-se o tormento do pobre leproso.
 

NSASANGA (NSA-SANGA) - (Ricinodendron aficanum, M. A.)

Limpa-se muito bem a casca. Ferve-se em água ou vinho de palma. O vinho ou água em que ferveu a casca, depois de bem coada, é usada nas parturientes para facilitar a expulsão das secundinas, quando há dificuldade nisso.
 

NSALA - (Omphalocarpum Brieyi - Dewild)

Chá da casca, depois de limpa, usado contra a furunculose.
 

NSALA-BAMBOKO

O mesmo que NFINGU.
 

NSANO - (Ongokea Gore (Hua) Pierre)

A seiva da casca, esfregada sobre o ventre, dizem facilitar a evacuação, quase provocá-Ia, agindo como purgante!...
 

NSASA (Insasa) - (Pachystela Brevipes, Baill)

Usadas, as folhas, como suadoiro contra as febres juntamente com as folhas de outras plantas. Vide KUAKU.
 

NSENGA - (Musanga Smithii)

A seiva é usada na cura da blenorragia ou quando há retenção de urinas. É tomada por via bocal misturada com água ou vinho de palma.
 

NSONHA - (Synadon dactylon)

É a grama.
Chá das raízes usado como diurético.
 

NTUMBI

Chá da casca e entrecasca contra as dores de barriga.
 

NTUMBI-NTANDU

A raiz, bem lavada e bem raspada, é colocada em água e pisada, depois, dentro dela. Dessa água, depois de coada, bebe-se duas ou três vezes por dia na cura da diarreia sanguínea. Ordinariamente, dizem, bastará um só dia.
Pode causar um pouco de prisão de ventre,  que passará dentro de um ou dois dias.
 

SASABU - (Thonningea sanguinea)

É uma balanófora.
Aplicam, os frutos no baixo ventre na cura da incontinência de urina, durante a noite (P. Bittremieux).
 

TAKULA - (Pterocarpus tinctorius)

Um género de pau sândalo.
Os naturais usam pintar-se com o cerne, reduzido a pó - ao que se chama Tukula - em certas circunstancias e cerimonias.
Não deixa de ter, porém, certas propriedades medicinais servindo para livrar a pela de irritações, pequenas «sarnas», adquiridas nos capinais por onde passam pessoas, e tornando a pele muito macia e sedosa.
 

TEBE - (Musa paradisíaca) - Bananeira

Tornar casca de banana, casca e sumo de limão e felugem.
Mete-se tudo a ferve; numa panela com água. Logo que ferva tira-se para o lado.
A «pasta» aplica-se em frio no tratamento das bôbas, Pian.
 

TINHO-NHOKA - (Datura stramonium)

As folhas, sacas e fumadas, são usadas contra a asma.
 

VUNGA-KIMPEMBE

As folhas, muito bem fervidas e depois de migadas muito miudinho, usam-se na cura de feridas.
A ferida é muito bem limpa e isolada por uma fina ligadura. Por cima dessa ligadura é que se colocam as folhas fervidas e migadas, ligando-se novamente.
 

ZINGITILA NKUEKEZE

É uma espécie de trepadeira.
As folhas, pisadas e chegadas ao nariz - têm um cheiro muito activo - são empregadas contra as dores de cabeça.
Na cura de furúnculos usa-se esfregar o local com estas folhas, antes de o furúnculo rebentar.
Aconselha-se a não demorar a fricção e muito menos a atar as folhas directamente ao corpo. Queimariam.

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