Fé Católica em Cabinda Vontade Divina ou Nova era de Inquisiçao?

30 October 2006 - Com uma representação de 65% da população Cabindesa, a igreja católica romana em Cabinda, passa hoje momentos conturbados frutos da instalação da crise “Deus & mamon” de quase dois anos resultado de uma instabilidade espiritual que vai atingindo contornos políticos face as ultimas evoluções do cenário em Cabinda.

Recordar a consagração da sua diocese, é relembrar os momentos que congregaram a família católica com sustentáculos e pirâmides que influentemente recaíram nos usos e costumes do homem Binda. Sob a liderança do Bispo Dom Paulino Madeca foi notável essa estratégia numa igreja que hoje entrou em decadência espiritual, moral e cívica tornando-se uma fonte para encarceramentos, perseguições, pelejas acções perpetradas por quem assim desejasse que fosse.

Dom Paulino Madeca e o seu séquito religioso podem assim vangloriar-se no Senhor pois fizeram um bom combate não só espiritual mas para a sociedade Cabindesa. Foi através da igreja que a própria língua dos Cabindas recebeu o nome "Ibinda" então vulgarmente chamada língua “nfiote” um termo que expressa a raça negra. A igreja proporcionou incentivos no uso de roupas típicas Cabindenses nas instituições académicas das classes juvenís, a liturgia e o canto coral em ibinda, o ensino do inbinda nas escolas sob sua jurisdição. A igreja ergueu projectos vários em toda extensão do território de Cabinda, casas de caridade, e formou os seus quadros alicerces basilares deste desenvolvimento durante os anos que se passaram. Todo este esforço foi levado a cabo com dedicação e empenho dos seus filhos, uma clara ausência de intervenção de forças externas tais como a CEAST, e outros. Foram destacados discípulos como Raul Tati, então vigário Geral, padres Bambi, Jorge Congo, Pambo, Brito, Gabriel e outros que na óptica daqueles que analisam as coisas na vontade de Deus, um destes elementos seria o ostentador da coroa por ele deixado embora este cargo não fosse somente para os Cabindas nesta diocese.

Hoje a igreja entrou numa nova era, a era regressiva cujo responsável pode ser Deus ou Lúcifer tendo permitido que os pilares da igreja entrassem em ruína. Certamente não pode ser Deus dos Céus e da Terra. Quando contemplamos polícias armados com ranger de dentes a entrarem nas igrejas para capturarem fiéis, quando contemplamos fiéis chicoteados a porta da igreja e levados ao tribunal, capelas e padres suspensos, homens armados atalaias do bispado temos a percepção que Satanás entrou na igreja católica de Cabinda ou Deus abandonou o povo de Cabinda.

Deus ou diabo, permitiram que a pedra unilateralmente rejeitada pelos homens fosse um facto. A igreja temendo uma aculturação do seu potencial decidiu com unanimidade rejeitar a nomeação misteriosa do Senhor Fulano Filomeno Vieira Dias. Anúncios, missivas foram dirigidas ao clero e ao PAPA porém sem satisfação, sem resposta e o preço da rejeição pode-se contemplar na actual inquisição.

A participação directa do governo neste processo com instalação dos agentes de segurança, o uso de outros meios repreensivos veio assim conduzir e o "bispo" FVD como pastor das ovelhas católicas em Cabinda, que não conseguiu congregar as mesmas dando porém obediência a Mamom. Há de certeza uma mão misteriosa desse caos! Sendo a igreja o amparo do povo, olhando para a situação política de Cabinda, os padres cabindas, sempre denunciaram as atrocidades do governo nao eleito contra esse povo que não se revê no nacionalismo angolano mas sim Cabindês e que consideram estarem a viver num neocolonialismo africano pecado que lhes pesou a suspensão.

A CEAST e o núncio apostólico, não dando ouvidos a voz do povo, permitiram que um pastor de ovelhas não tivesse a entrada triunfal mas que dirigiu-se directamente a praça para dispersa-las com chicotes e espada. Em parte nenhuma se viu os arautos de Deus levando a fé cristã com a Bíblia na mão mas que pela traseira escoltado por homens armados para pregar a palavra santa de Deus a não ser que a lei canónica é assim: Ora quem nega o povo, nega a voz de Deus e hoje o que contemplamos é o resultado da desobediência do séquito canónico da igreja em angola em relação ao povo vítima de uma era de inquisição de torturas, obrigações, prisões e ameaças. O mais certo é que a passagem para o passivo de Dom Madeka, foi usada para a CEAST invadir a diocese de Cabinda uma vez que esta era autónoma nas suas decisões. Através da CEAST o seminário maior da diocese foi encerrado para sempre e destituída a sua direcção. Quem se lembra deste seminário, pode lembrar-se dos bons quadros que lançados para o mercado de trabalho e que hoje são bons dirigentes nas instituições do estado após terem recuado na decisão de seguir somente a Jesus. Este seminário foi tido como sendo escola de formaçao impírica.

Essa humilhação não é engolida pelo povo que dotou outras estratégias de professar a sua fé após a chegada do pastor preferindo lugares que oferecem maior verdade acto visto como incómodo por muitos

Balanceando as actividades do bom pastor desde a sua aparição, o "messias" não conseguiu resolver o problema de base deste rebanho. Este problema consigna-se no entanto no seu não reconhecimento que fora rejeitado pelo povo que veio pastar. Caiem sobre o "bispo" as cumplicidades em todo este cenário ao não ouvir o que as escrituras dizem: ...Se porem vos rejeitarem, até a poeira deste arraial sacudi quando estiverdes saindo dele....(Bíblia Sagrada). Senhor Fulano Filomeno Vieira Dias continua incapacitado a uma verdadeira política de reconciliação para estabelecer a paz com o rebanho que o rejeitou. Continuam padres queridos suspensos e fiéis perseguidos, etc. Aonde está a vocação do pastor? Aonde estaria o perdão de Deus no coração deste pastor? Se alguém te bater no lado direito, oferece-lhe também o lado esquerdo. Mateus 6:39 (Bíblia Sagrada). A obediência ao governo nao eleito parece mais que o amor de Deus! No mesmo cenário está a CEAST que através do Dom Dalcorsio antigo mensageiro em Cabinda, tem um processo no tribunal de Cabinda cujos lesados são os Padres Raul Tati e Jorge Congo. A CEAST nunca repreendeu essa atitude nem solicitou ao governo nao eleito que anulasse o mesmo visto constituir um processo contra os princípios da fé Cristã.

Quando um arauto ordena o encerramento de capelas, por não saber resolver os problemas da sua grei, quando um pastor permite que a autoridade do governo o mais beneficiado neste talismã, prender, capturar fiéis inconformados estará esse a recordar os tempos da inquisição? Pode Deus usar a inquisição fazendo cumprir os seus desígnios? Os Cabindas estão hoje na era da fé pela espada. Tudo porque devem fechar as capelas para professaram nas paróquias onde o "bispo" tem o seu poderio.

É certo que a reacção do povo face ao sucedido é negativa contudo o mesmo está na margem de que a eleição do actual pastor não é divina mas sim uma imposição desenhada pelos homens por isso o fazem em nome de Deus. Este cenário continuará a ter contornos indesejáveis pois a fé misturou-se com a esperança e vontade do povo de um dia ver a sua liberdade por isso tudo que se faz, faz-se em nome de Deus por isso ha vozes falando que o actual "bispo" de Cabinda, é uma imposição do governo para silenciar as vozes de independência e a liberdade Bindas.

Bom seria se a CEAST e o seu enviado atirassem de lado, a arrogância, suspeitas e inquisição uma vez que conseguiram realizar os seus sonhos de impor o rejeitado do Senhor em Cabinda. Os apelos constantes das irmãs e mamãs católicas ao clero em angola e ao Papa deveriam ser ouvidos pois a igreja está envergonhada. Os pacifistas Cabindas vão perdendo esse carácter e o cenário pode tornar-se pior.
O ministério papal de João Paulo II é mais relevante quando mesmo com sofridas críticas pediu a Deus pelo perdão dos pecados da igreja nos séculos passados. Quem entre a CEAST teria essa virtude?

Em tudo a percepção é que o que se passa em Cabinda, não é vontade divina mas sim dos homens, porém a sua solução passa por uma humilhação a Deus. Mambuco Puna


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